Descrição
O Complexo de Édipo é um conceito fundamental da teoria e da
clínica psicanalítica, além de constituir uma marca inegável do discurso
psicanalítico sobre a cultura. Embora seja um eixo central e seja
incontornável – pois toda e qualquer psicanálise precisa se haver com a
problemática edípica - possui muitas variações, implicações e
desdobramentos tanto no nível teórico quanto na prática. Nesse
sentido muitos modelos de teorização em psicanálise revisitaram,
ressignificaram e ampliaram a teoria do complexo de Édipo, de forma tal
que desde sua circunscrição original por Freud até os autores
contemporâneos muitas versões e abordagens sobre essa
problemática foram estabelecidas. Este curso objetiva apresentar e
discutir a teoria do Complexo de Édipo em Psicanálise a partir de uma
abordagem sintética e panorâmica de alguns dos principais autores
clássicos, encaminhando para visões mais contemporâneas de forma a
discutir seu alcance e os desafios que encontra diante do contexto
psicossocial da atualidade, abordando não apenas a dimensão
psicopatológica, mas também as questões identitárias que se colocam a
partir dele.
Conteúdo Programático
Programação
Aula
1
Coordenação:
Guilherme Magnoler Guedes de Azevedo
O
Complexo de Édipo em Freud
A
presente aula é um resumo do surgimento e evolução do conceito de Complexo de
Édipo na obra de Freud. Contudo, antes de entrarmos em Freud, analisaremos a
versão do Mito de Édipo que baseou o conceito freudiano, ou seja, o Édipo de
Sófocles. Depois, analisaremos a evolução do conceito na obra de Freud desde
1897 até 1933. Para tanto, examinaremos 14 textos do autor, espalhados por
diversos volumes de suas obras, que trazem importantes contribuições para a
construção do conceito. Veremos como esse herdeiro do abandono da teoria de
sedução se transformou lentamente na espinha dorsal do sistema freudiano. De
fato, em Freud, tudo orbita o Édipo. Nomeie qualquer conceito importante da
obra do Mestre e verá que ele estará, de alguma forma, na teia do Édipo. O conceito
permeia todo desenvolvimento teórico, todos os casos clínicos e é o fio
condutor dos textos antropológicos. Alguns temas desenvolvidos na aula serão:
· A
relação entre o Édipo como mito, tragédia e conceito;
· Momento
fundamental e etapa mais importante do desenvolvimento Psíquico, sua estrutura
de base;
· Momento
estruturante da sexualidade do indivíduo;
· Norte
e estrutura de base da constituição da segunda tópica freudiana: ou seja, da
estrutura do aparelho psíquico, constituída por Ego, Id e Superego;
· O
conceito “Instaurador” da Lei e consequentemente da cultura. Primeiro a mais
importante código de Lei da civilização;
· A
relação do Complexo de Édipo com as fases do desenvolvimento: oral, anal,
fálica e genital, assim como o período de latência; ou seja com a teoria da
libido.
· Semelhanças
e diferenças do Édipo na menina e no menino.
Aula
2
Coordenação:
Elza Magnoler
O
Complexo de Édipo em Klein
Nesta aula,
pretendemos caminhar seguindo a originalidade do pensamento kleiniano na
direção do sistema conceitual sobre o funcionamento mental a partir da análise
de crianças pequenas, enfocando a travessia do Complexo de Édipo. Ao perceber
que o brincar constituía a atividade onde se expressava a ansiedade através das
fantasias inconscientes, Melanie Klein apresentou grandes descobertas
desconhecidas nas análises de crianças até então, muitas das quais relacionadas
ao Complexo de Édipo. Antes de Klein acreditava-se que as crianças não teriam
desenvolvido ainda um superego, uma vez que este seria herdeiro do Complexo de
Édipo, que, para os freudianos, ocorria na fase fálica por volta de três a
cinco anos de idade. Abordaremos como o trabalho com crianças muito pequenas
levou Klein a expandir a compreensão do Complexo de Édipo, sendo os principais
temas:
· a
existência do Complexo de Édipo precoce;
· a
forma arcaica do Superego desde o início de vida;
· as
fantasias iniciais sobre as figuras edípicas arcaicas atacadas pelo superego;
· a
relação do Complexo de Édipo com as posições esquizoparanoide e depressiva;
· as
características do Édipo adulto.
Aula
3
Coordenação:
Érico Bruno Viana Campos
O
Complexo de Édipo em Lacan
O trabalho de Jacques Lacan é marcado pela posição
de um retorno a Freud, que consiste em um aprofundamento e resgate da
centralidade do Complexo de Édipo na constituição da subjetividade, por meio de
uma reorientação epistemológica e ética da concepção de sujeito em psicanálise
pautada nas teorias sobre a linguagem. Nessa perspectiva o Complexo de Édipo é
um verdadeiro estruturante, marcando a entrada no registro do simbólico e na
ordem cultural. A partir dessa chave teórico-conceitual, a compreensão da
conflitiva edípica é ampliada para incluir as modulações do narcisismo, levando
a uma proposição sintética de três tempos do Édipo. A aula será focada na
caracterização desse modelo esquemático, partindo de uma breve apresentação da
concepção geral de subjetividade presente na teoria lacaniana, focada nos
registros de simbolização e na ideia de uma primazia do falo. Discutiremos as
implicações dessa passagem para uma abordagem estrutural de funções e posições
instaurando lógicas de modulação do desejo, destacando o subdimensionamento das
características de personalidade e das marcas identificatórias na identidade
sexual. Indicaremos ainda alguns desdobramentos posteriores da teoria do autor
em direção a fórmulas da sexuação. Para
tanto, citaremos textos básicos e clássicos de Lacan sobre a temática,
privilegiando o momento de primazia do simbólico, no período de 1953-1964, com
o auxílio de alguns comentadores clássicos, em especial Joël Dor.
Aula
4
Coordenação:
Josiane Cristina Bocchi
O
Complexo de Édipo no pensamento de Jean Laplanche
Laplanche,
autor do célebre Vocabulário da
psicanálise e da Teoria da Sedução Generalizada (TSG), esteve sempre aberto
ao debate psicanalítico não reduzido às querelas narcisistas e institucionais
dos psicanalistas. Laplanche levou essa atitude à sua teoria, a qual tem, no
seu centro, o humano afetado por um inconsciente recalcado e as mensagens
enigmáticas dos adultos. “Nem rir, nem chorar, mas compreender” é o que ele
propõe para a experiência analítica. Rigoroso na leitura de Freud, mas propondo
inovações conceituais como veremos no complexo de castração e no complexo de
Édipo. O Édipo é ressignificado como sistemas simbólicos de parentesco, como
romance e outros regimes de transmissão cultural. Se o Édipo é universal ou
herdado, não importa muito, mas sim que ele se origina do outro para a criança.
· Teoria
da sedução em Freud e a sexualidade ampliada, vista por Laplanche
· O
sexual infantil e as duas posições da castração
· Complexo
de Édipo como códigos e esquemas narrativos
· Pulsão
sexual e pulsão sexual de morte
Aula
5
O
complexo de Édipo na Atualidade
Patrícia
Porchat
A
década de 1970 marcou a primeira grande crítica ao conceito de Complexo de
édipo, com os filósofos Deleuze e Guatarri. Desde então assistimos a diferentes
pensadores, de fora e de dentro da psicanálise, colocar em questão este
conceito a partir de reflexões acerca de sua suposta universalização. Veremos
primeiramente a crítica da prevalência na psicanálise do familialismo
ocidental, considerado um sistema de parentesco conservador, reacionário,
limitado e ultrapassado, presente no modelo de Édipo sustentado pela família
nuclear patriarcal. Em seguida, analisaremos a crítica a um modelo brasileiro
de exclusão do édipo negro. Examinaremos, ainda, a crítica LGBT à normalização
advinda de uma construção heteronormativa do Édipo e, por último, acompanharemos
uma reflexão acerca das consequências de uma psicanálise sem Édipo.
a.
Deleuze e Guatarri: O Anti-Édipo: Capitalismo e Esquizofrenia
b.
Rita Segato: O Édipo negro: colonialidade e forclusão de gênero e raça
c.
Judith Butler: Melancolia de gênero
d.
Jorge Reitter: Édipo Gay
e.
Van Haute e Geyskens: Psicanálise sem Édipo ?
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